ANÁLISE: O dilema do investidor

Com a taxa de juros em patamar baixo histórico e o risco fiscal em crescimento, o investidor pode se ver diante de uma armadilha. Ouvimos o Diretor de Distribuição da True, Maximiliano Marques, e o Diretor de Operações, Rodrigo Santos, sobre os caminhos para os investidores.

Existe uma grande questão feita por boa parte dos investidores. Por quanto tempo o Brasil conseguirá manter a taxa básica de juros em 2%?

Pela sinalização do Banco Central, por enquanto nada muda. Em sua última reunião, realizada no dia 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária do BC decidiu pela manutenção da taxa Selic nesse patamar, o menor da sua série histórica, iniciada em 1996.  A ata da reunião reforça que a Selic está próxima de seu limite e reduções adicionais seriam realizadas de forma mais gradual.

Sinal amarelo para o risco fiscal – Contudo, o crescimento do risco fiscal tem pressionado os juros futuros, fazendo as taxas dispararem. O aumento reflete as dúvidas do mercado financeiro sobre a capacidade do governo de controlar as contas públicas. Os gastos governamentais cresceram de forma vertiginosa para combater os efeitos das crises sanitária, econômica e social provocadas pela pandemia de COVID-19.

“O governo precisa gastar mais dinheiro para reanimar a economia. Mas para fazer isso ou gera inflação, que seria o pior cenário, ou gera aumento do endividamento público. Então, ele se financia com o dinheiro das pessoas, das empresas, via emissão de títulos públicos. E isso aumenta a sua dívida”, explica Maximiliano Marques, Diretor de Distribuição.

As indefinições quanto ao rumo das contas públicas e a alta necessidade financiamento do governo por meio da emissão de títulos públicos faz com que o mercado questione a capacidade de honrar esses compromissos no futuro. E, por conceito, quanto maior o risco, maior o prêmio em juros exigido pelos investidores.

Curva de juros estressada – Como resultado, o mercado de juros futuros está estressado. Em 19 de setembro, as taxas intermediárias e longas deram um novo salto, fazendo com que a inclinação da curva de juros ficasse ainda mais acentuada. “Os investidores sabem que o governo vai ter que aumentar o endividamento. A projeção dos juros futuros para 2026 é da taxa Selic em 6%”, observou Max.

Mas a grande questão é se os juros realmente ficarão nesse patamar, mesmo crescendo. “A depender do endividamento público, ele terá que estar mais alto. O governo provavelmente terá que estender o auxílio emergencial por mais tempo. A reversão de altos níveis de desemprego não é um problema simples de resolver”, acrescenta o executivo.

A armadilha do investidor –Por outro lado, o crescimento da taxa de juros não faz sentido em um cenário econômico de lenta retomada, ainda dependente de auxílios do governo. “O investidor está hoje numa armadilha. Porque, por conceito, os juros deveriam subir em função do aumento do risco. Mas por outro lado, não adianta o governo aumentar os juros se não tivermos consumo, se ninguém pegar dinheiro emprestado, se as empresas e pessoas físicas ainda enfrentam dificuldades. Qual é o limite? Fuga de capitais para o exterior. E aí o País acaba empobrecendo”.

Qual a saída para esse dilema? “Não há. Mas há coisas que ajudam e uma delas é credibilidade. O governo mostrar que está preocupado com o aumento de gastos”, destaca Max.

Ele ressalta que houve movimentos importantes nesse sentido recentemente, como a Câmara ter mantido o veto ao reajuste de servidores públicos durante à pandemia, a reunião do presidente do BC, Roberto Campos Neto, com ministros do Tribunal de Contas da União, preocupado com a interpretação que poderia ser dada à uma possível transferência dos lucros do BC com operações de câmbio para o Tesouro Nacional para financiamento da União, e a defesa por parte do presidente e membros da equipe econômica à disciplina fiscal.

Sinais positivos – Se o governo sinalizar de forma consistente para o mercado seriedade, credibilidade, e capacidade para fazer a economia crescer, a tendência é que a curva de juros volte a baixar. “Porque se entenderá que em um determinado ponto do tempo – ainda não sabemos quando – a economia voltará a crescer, o governo voltará a arrecadar mais impostos e conseguirá amortizar a dívida ao longo do tempo”, acrescenta Max.

“Mas que o investidor não se iluda. Nossa relação de dívida bruta em relação ao PIB, que hoje está próxima de 100%, deve permanecer em patamar alto por um bom tempo. Vamos pagar por esse problema da COVID-19 por 20 anos”, completa o Diretor da True.

Alternativas para o investidor – A perspectiva de que os juros baixos vieram para ficar tem feito os investidores buscarem diversas alternativas para melhorar a rentabilidade de suas carteiras. De 2020 para 2019, houve aumento de 68% no número de investidores inscritos na Bolsa, hoje cerca de 3 milhões. Os fundos imobiliários atingiram neste ano a marca de 1 milhão de investidores.

As operações de crédito privado estruturado de Certificados Recebíveis Imobiliários – CRI e Certificados Recebíveis do Agronegócio – CRA bateram recordes no mercado. De janeiro a agosto, a True Securitizadora, líder no segmento de CRI, já emitiu R$ 3,808 bilhões nos dois tipos de operações.

“O CRI e o CRA são alternativas para o investidor de médio e longo prazo. Para as pessoas físicas há isenção de imposto de renda, o que faz com que a taxa de retorno desses papéis seja ainda maior comparado a outros investimentos. Então, além de ser um papel que normalmente remunera muito acima da inflação, ainda existe esse benefício fiscal, o que o torna altamente atrativo”, destaca Rodrigo Santos, Diretor de Operações da True Securitizadora.

Rodrigo acrescenta que o investidor de CRI e CRA costuma ter uma carteira sofisticada, sem concentração em algum tipo de risco, e foca o longo prazo, pois são papéis de menor liquidez. “Então, ele opta pelo fato de serem operações com estrutura robusta e com remuneração atraente”. O Diretor reforça que os investidores devem estar sempre atentos aos fatores de risco das operações, pois mesmo as estruturas robustas carregam algum nível de risco. “Todos os fatores de risco estão no termo de securitização que está à disposição do investidor. Então, é uma questão que o investidor precisa ficar atento para decidir qual o risco que fará sentido ou não para ele”.

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